{"id":5680,"date":"2020-09-14T12:15:00","date_gmt":"2020-09-14T15:15:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.hes.unicamp.br\/?p=5680"},"modified":"2020-09-22T15:44:57","modified_gmt":"2020-09-22T18:44:57","slug":"os-bastidores-de-sete-meses-de-enfrentamento-ao-coronavirus-no-hospital-estadual-sumare","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/os-bastidores-de-sete-meses-de-enfrentamento-ao-coronavirus-no-hospital-estadual-sumare\/","title":{"rendered":"Os bastidores de sete meses de enfrentamento ao coronav\u00edrus no HES"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A manh\u00e3 de s\u00e1bado, 21 de mar\u00e7o de 2020, est\u00e1 bem viva na mente do m\u00e9dico Maur\u00edcio Wesley Perroud J\u00fanior, diretor do Hospital Estadual Sumar\u00e9 (HES-Unicamp). Na noite anterior, ele havia recebido um email da Secretaria de Sa\u00fade do Estado de S\u00e3o Paulo. A mensagem n\u00e3o deixava d\u00favidas. Com a pandemia causada pelo coronav\u00edrus j\u00e1 oficializada pela OMS desde o dia 11 de mar\u00e7o, e os casos aumentando no Brasil, o plano de enfrentamento feito pelo hospital, que estava pronto, precisava entrar em a\u00e7\u00e3o imediatamente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNaquela manh\u00e3 nos reunimos todos no hospital e em um intervalo de dez horas criamos 24 leitos para Covid. Foi um desafio enorme, mas aquilo era preciso porque quando chegassem os primeiros pacientes [o que ocorreu em quest\u00e3o de dias] n\u00e3o ter\u00edamos onde coloc\u00e1-los\u201d, afirma Perroud J\u00fanior, que tamb\u00e9m atua como docente da FCM e pneumologista no HC da Unicamp.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De forma retrospectiva, o Hospital Estadual Sumar\u00e9, que \u00e9 do Governo de S\u00e3o Paulo mas administrado pela Unicamp com profissionais todos contratados em regime de CLT, sempre esteve, at\u00e9 sem saber, se preparando para eventos de grande porte como a pandemia deflagrada em mar\u00e7o. O que sempre fez da institui\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 completando 20 anos neste m\u00eas, uma refer\u00eancia na regi\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de Sumar\u00e9, o hospital atende mais cinco munic\u00edpios (as microrregi\u00f5es de Americana, Hortol\u00e2ndia, Monte Mor, Nova Odessa e Santa B\u00e1rbara D\u2019Oeste) e uma popula\u00e7\u00e3o total estimada em mais de 1 milh\u00e3o de pessoas. \u201cUma coisa que sempre nos ajudou muito foram os v\u00e1rios treinamentos que fizemos ao longo dos anos para a obten\u00e7\u00e3o das acredita\u00e7\u00f5es que n\u00f3s conseguimos nestes 20 anos. Vamos completar duas d\u00e9cadas agora, neste dia 21 de setembro\u201d, diz o diretor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Hospital Estadual Sumar\u00e9 Dr. Leandro Franceschini, logo nos primeiros dois anos de vida, conseguiu obter a acredita\u00e7\u00e3o hospitalar n\u00edvel 3, tornando-se o primeiro hospital p\u00fablico do pa\u00eds a atingir essa marca. Este \u00e9 o n\u00edvel m\u00e1ximo de acredita\u00e7\u00e3o hospitalar e indica que o local oferece um tratamento de excel\u00eancia para os pacientes. \u201cEm 2012, tamb\u00e9m conseguimos a acredita\u00e7\u00e3o internacional canadense CCHSA\u201d, diz o diretor da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo Perroud J\u00fanior, toda essa mem\u00f3ria de buscar sempre a excel\u00eancia fez com que o hospital juntasse for\u00e7as para combater com seguran\u00e7a o coronav\u00edrus. \u201c\u00c9 um hospital que sempre buscou aprender, que gera conhecimento, e tem muita experi\u00eancia guardada.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Aventais a toque de caixa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por mais que o plano de enfrentamento estivesse pronto e fosse considerado exemplar pela Secretaria de Sa\u00fade que at\u00e9 pediu que ele fosse compartilhado com outras institui\u00e7\u00f5es estaduais, os desafios de enfrentar uma pandemia s\u00e3o muitos. Al\u00e9m dos leitos, ainda em mar\u00e7o, as enfermarias tamb\u00e9m tiveram que ser remodeladas. Com as mudan\u00e7as, mais 34 leitos foram reservados para os doentes da Covid-19. O pico da doen\u00e7a acabou sendo atingido em julho em Sumar\u00e9. Dos 399 casos de s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda atendidos no hospital durante a pandemia, 167 foram confirmados com a doen\u00e7a at\u00e9 o dia 8 de setembro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de preparar a infraestrutura necess\u00e1ria, relata Perroud J\u00fanior, administrar o aumento dos custos dos rem\u00e9dios e dos equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual para os profissionais de sa\u00fade tamb\u00e9m foi algo complexo. \u201cUma das coisas que nos ajudou muito, al\u00e9m de aditivos or\u00e7ament\u00e1rios do Estado, foi a doa\u00e7\u00e3o de uma empresa de Sumar\u00e9. Ela nos deu um tecido usado em roupas de trabalhadores da lavoura do tabaco. Ou seja, elas s\u00e3o imperme\u00e1veis, porque o tabaco \u00e9 t\u00f3xico, e ao mesmo tempo leves, porque todos atuam expostos ao Sol.\u201d Com o tecido, segundo o diretor, foram feitos 600 aventais para os profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A press\u00e3o era constante, relembra o pneumologista da Unicamp. Segundo ele, com os insumos usados na seda\u00e7\u00e3o dos pacientes sob ventila\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica sempre sendo muito procurados em todo o mundo, havia o risco constante de que eles ficassem indispon\u00edveis. \u201cNossas equipes cl\u00ednicas precisavam estar sempre revendo os protocolos caso algo ocorresse\u201d, afirma Perroud J\u00fanior. Nenhum profissional do hospital ficou sem equipamentos de seguran\u00e7a e, tamb\u00e9m, todos os pacientes receberam a medica\u00e7\u00e3o adequada, informa a dire\u00e7\u00e3o do Hospital de Sumar\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se a gest\u00e3o de insumos e rem\u00e9dios seguia uma l\u00f3gica inusitada at\u00e9 para os mais experientes em gest\u00e3o hospitalar, a administra\u00e7\u00e3o dos recursos humanos tamb\u00e9m passou a ser vista como um eventual gargalo. Ainda mais porque, em um primeiro momento, os testes diagn\u00f3sticos demoravam semanas para ficar prontos. Com os testes realizados dentro do Hospital de Cl\u00ednicas da Unicamp, entretanto, a realidade mudou bastante. \u201cCom isso, a demora dos resultados caiu para, no m\u00e1ximo, 48 horas. N\u00e3o houve, em nenhum momento, quebra de escalas no nosso hospital\u201d, afirma o diretor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De um total de 1.300 funcion\u00e1rios, 540 tiveram que ser afastados por duas semanas e 221 foram contaminados pelo coronav\u00edrus. O Hospital Estadual  Sumar\u00e9 virou refer\u00eancia durante a pandemia para o tratamento de casos graves da Covid-19, o que aumenta o risco de contamina\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Partos e acidentes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo com uma pandemia em curso, e por ser uma refer\u00eancia na regi\u00e3o, o hospital continuou atendendo os casos graves sem rela\u00e7\u00e3o com o v\u00edrus. Pessoas v\u00edtimas de acidentes de tr\u00e2nsito ou atingidas por armas brancas ou de fogo continuaram chegando \u00e0 emerg\u00eancia. \u201cEsse fluxo continuou. Mas mesmo com a pandemia conseguimos dar conta desse atendimento. Assim como os partos que precisaram ser realizados\u201d, afirma Perroud J\u00fanior. \u201cTudo acabou sendo uma oportunidade para aprendermos e sairmos ainda melhor\u201d, diz o m\u00e9dico, que espera que em setembro o hospital j\u00e1 bata todas as metas de atendimento que ele precisa cumprir para os casos n\u00e3o ligados \u00e0 Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><a href=\"mailto:%20kel@unicamp.br\"><br>Eduardo Geraque | Especial para o Portal da Unicamp<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A manh\u00e3 de s\u00e1bado, 21 de mar\u00e7o de 2020, est\u00e1 bem viva na mente do m\u00e9dico Maur\u00edcio Wesley Perroud J\u00fanior, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":5681,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-5680","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5680"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5680\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5688,"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5680\/revisions\/5688"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.hes.unicamp.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}